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03 out, 2017

[RESENHAS] Hopeless #1: Um Caso Perdido


Um Caso Perdido
é uma daquelas obras excepcionais, conta com personagens marcantes e envolventes e traz para o leitor não apenas um enredo interessante que vai ser devorado em dias, mas que também questiona o moral de cada um e tem situações que ficam ali nos empurrando a refletir sobre alguns pontos e é por isso que hoje trouxe esta resenha para vocês.




Sky é uma garota que foi criada de uma maneira completamente diferente de qualquer outra adolescente da sua idade: ela não pode ter contato com qualquer tipo de tecnologia e sua educação é caseira, então isso torna a sua experiência com o mundo exterior absolutamente limitada à sua melhor amiga, Six. Elas duas conseguiram uma fama de garotas fáceis, o que no caso de Six é um pouco verdade, mas no de Sky não, ela nunca dormiu com cara nenhum porque enquanto está dando uns amassos com algum garoto a única coisa que sente é torpor.


Depois de uma anos tentando ela finalmente convence a sua mãe adotiva a deixá-la ir para a escola, como qualquer adolescente normal e então Six finalmente consegue ir para a Itália fazer intercâmbio. Sky poderia muito bem desistir da ideia de experimentar o dia-a-dia da vida escolar normal, especialmente por tudo que seus livros diziam sobre os adolescentes do ensino médio (basicamente que as pessoas serão cruéis!), mas ela segue em frente pois nada seria tão ruim quanto ela já havia imaginado, mas a verdade é que a escola se provou ser exatamente o que fora descrito pelos autores. As meninas, em especial, não paravam de importuna-la pregando bilhetinhos em seu armário, mas nada disso a incomodava de verdade, a situação lhe parece mais engraçada do que qualquer outra coisa. Mesmo com toda a hostilidade do ambiente Sky consegue fazer um amigo, Breckin que também se sente à margem por ser mórmon e gay.

Os dias vão se passando, ela começa a se acostumar com a rotina e se prepara para dar adeus a sua melhor amiga que está a caminho da Itália. Naquele fim de semana Karen, sua mãe adotiva, tem que viajar para vender as coisas que produz com ervas e especiarias, isso é o céu para a adolescente que tem que comer a comida vegana da mãe. Nesse dia ela vai ao mercado comprar besteiras e é a primeira vez que encontra com o misterioso e lindo Dean Holder. Ele a deixa bastante desconfortável só de olha-la e isso a apavora, nenhum cara nunca a fez sentir nada assim, bem isso não é totalmente verdade, nenhum garoto nunca a fez sentir e pronto.

Em meio a vários outros acontecimentos, ela e Holder acabam se aproximando e se apaixonando, mas o relacionamento que surge entre os dois é bastante conturbado e os mistérios que rondam o passado do casal vai interferir de forma direta na relação deles. O quanta mentira Sky poderá aguentar? O que cerca o misterioso adolescente que aparentemente surgiu do nada na vida dela? Depois de Holder, a vida dela nunca mais será a mesma.


Falar desse livro é um pouco complicado para mim porque fiquei totalmente envolvida pelos dramas que são propostos pela autora. Colleen Hoover traz em suas obras temas pesados e que vão fazer seus leitores refletirem bastante e com Um Caso Perdido não foi diferente. Mesmo que já tenha me apaixonado por sua escrita lá em Métrica e tendo a noção de que este não seria um livro leve e divertidinho, esta obra conseguiu ser mais devastadora do que eu imaginava.

Primeiramente preciso comentar que, como as outras obras da Hoover, Um Caso Perdido me prendeu desde o primeiro capítulo. A leitura pra mim foi avassaladora, enquanto não descobri os motivos ocultos por trás dos estranhos comportamentos de Holder perto de Sky e a razão dela não se lembrar de nada da sua primeira infância não parei de devorar o livro e quando isso finalmente aconteceu não acreditei do quão genial a autora havia sido, mas para poder falar sobre o assunto pra vocês vou ter que dar um spoiler bem grande, se você não quiser saber pule os dois próximos parágrafos ou pare de ler esta resenha aqui.

O tema que Hoover traz pra gente é absurdamente polêmico: pedofilia. Mas não apenas a pedofilia, Sky vai sofrer abuso sexual do pai quando ainda era apenas uma menininha de cinco ou seis anos, mas além deste fato horrendo (porque sofrer abuso de alguém que devia protegê-la é algo monstruoso!) ainda tem o agravante de que ele é um xerife, ou algo do tipo, um suposto defensor da lei!

Assim que isso é revelado eu fiquei pensando no número de crianças que sofrem abuso onde deveriam estar protegidas: em casa. Outro ponto muito importante é que quando descobre-se que Sky (que na verdade se chama Hope e daí o nome da duologia em inglês) é “sequestrada” pela tia que não via outra forma de proteger a garotinha. Então Hoover propõe outra discussão muito interessante de até onde ela estaria certa ou errada? Até onde a lei deve ser obedecida? São reflexões importantes trazidos por este livro.

Achei de uma coragem e uma genialidade sem tamanho que a Colleen resolvesse discutir isso em sua obra o que só prova ainda mais que certos livros não são apenas passatempo, ou diversão, há obras que realmente prestam um serviço à sociedade ao debater certos temas, o que pode realmente nos fazer mudar e melhorar como ser humano, com certeza a reflexão que fiz ao ler Um Caso Perdido me tornou uma pessoa melhor.

Bom, a capa nacional tem apenas alguns detalhes diferentes da americana, e apesar de não ser a maior fã de rostos em capas de livro tenho que admitir que gostei muito deste. Tem toda uma questão interessante a ser analisada e entendia de uma maneira bem íntima se o leitor prestar bastante atenção no jogo de luzes na modelo e seu olhar.

Incrivelmente me identifiquei bastante com Sky, pra falar a verdade me achei bem parecida com ela em algumas coisas. Já o Holder é um tipo de Travis Maddox (Belo Desastre): lindo, misterioso, forte e com variações de humor que fazem qualquer um pensar que é bipolar, e apesar de não gostar muito de personagens assim o passado dele realmente me fez ficar muito apegada a ele.

De todas os personagens a quem somos apresentados no livro, sem dúvida alguma o meu favorita é o Breckin. Ele é divertido, espirituoso e me lembra um amigo que tenho e o qual eu realmente amo. Toda vez que ele aparecia em cena não podia deixar de me lembrar desse meu amigo, sem mencionar que Breckin é o “escape” da narrativa, é graças a ele que temos alguns momentos leves no decorrer da história e esse breve momento onde respiramos é um alívio bem vindo pois a trama construída por Hoover consegue se aprofundar cada vez mais à medida que avançamos as páginas.

Acho que todo mundo já entendeu que adorei o livro, não dá para não gostar de uma obra tão completa e escrita por alguém tão talentosa. Para quem não sabe existe um segundo livro que seria esta mesma história a partir do ponto de vista do Holder, Sem Esperança já foi lançado pela Galera Record, mas ao contrário de Um Caso Perdido só estou lendo agora.


Título: Um Caso Perdido | Série: Hopeless | Páginas: 284
Autor(a): Colleen Hoover | Tradutor(a): Priscila Catão | Editora: Galera Record


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