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27 jun, 2018

[RESENHA] Um Banquete Para Hitler


Oi gente! Hoje vim falar com vocês sobre Um Banquete Para Hitler do V. S. Alexander e um dos lançamentos deste mês da Editora Gutenberg. Então, continue lendo para saber o que eu achei.


Magda Ritter é uma jovem alemã que vive em um período muito complicado: durante a Segunda Guerra Mundial. A jovem mora em Berlim com os pais, mas como a com os riscos de um ataque aéreo, eles decidem enviar a única filha para morar com os tios em Berchtesgaden para que Magda fique mais segura possível, considerando o momento em questão. Chegando lá Reina, a esposa do seu tio, começa a pressiona-la para arrumar um emprego e é assim que ela é levada até um lugar onde se candidata a qualquer emprego, mas como não é filiada ao Partido isto pode ser complicado.


Pouco tempo se passa e Magda recebe a notícia de que foi selecionada para um emprego, mas poucas coisas a mais lhe são informadas além de que ela vai ter que ir morar no lugar onde for trabalhar. Acontece que algumas semanas depois ela é levada para a Corte de Hitler em Berghof, que fica bem perto de onde os tios moravam. Lá chegando, Magda descobre que o emprego para o qual foi selecionado é algo perigoso: ela deve provar a comida do Führer. Todos parecem ver o emprego como uma honra, mas ela não tem tanta certeza disso.


Durante o tempo que passa em Berghof, Magda acaba conhecendo melhor algumas pessoas, entre elas Cook, a cozinheira, Ursula, outra provadora, e o Capitão Karl Weber e acaba se afeiçoando a eles. Pouco depois de sua primeira aula sobre venenos, ela finalmente prova a sua primeira refeição, mesmo estando apavorada. Aos poucos Magda vai se acostumando ao perigo e aprendendo que há mais em Berghof do que aquilo, mas ela não consegue deixar de lado o incômodo que sente por colocar sua vida em perigo todos os dias. Além disso, ela também nunca foi apaixonada pelo Führer e tão pouco acredita em tudo que ele fala, mas não deixa transparecer isto.


Assim, quando o Capitão Weber deixa transparecer certas inclinações como as dela, Magda fica bastante surpresa, mas também desconfiada (afinal ele poderia muito bem apenas estar testando sua lealdade!) já que todos parecem amar Hitler incondicionalmente, ou é o que ela pensava. Tudo vira de pernas para o ar em Berghof quando uma tentativa de envenenamento ocorre, mas por outro lado serve para tornar mais claras as coisas para ela em relação ao Capitão. O tempo passa e o perigo aumenta, mas agora Magda precisa se preocupar não apenas com o fato de se a comida vai estar envenenada como também com o que sente em relação a Karl Weber e seu bem estar.


Um Banquete Para Hitler é uma daquelas obras que me pegaram de jeito e não consegui parar de ler. A escrita do V. S. Alexander é absolutamente envolvente e viciante que parar a leitura para coisas essenciais como comer se tornou algo muito difícil pois eu precisava saber como a trama iria se desenvolver, mesmo sabendo como seria o final. Acontece que, neste caso, o que mais importará para o leitor é a jornada de Magda.


O livro mistura ficção e fato de uma maneira tão genial que em certo ponto eu não sabia mais o que o autor havia criado e o que é história, o que só serve para mostrar como Alexander fez um trabalho absolutamente primoroso em sua pesquisa. Por exemplo: existiram provadoras e uma delas revelou o que aconteceu para o mundo em 2013, seu nome era Margot Woelk, houve uma tentativa de envenenamento de Hitler,  pessoas como Eva Braun (companheira do Führer) e mesmo Blondi (a cachorra do Führer) bem como o fato de ele gostar de contar histórias horrorosas sobre matadouros para que seus convidados evitassem comer carne (oh que serumaninho bom! #sarcasmo) estão retratadas aqui. Cook, a cozinheira que está presente no livro é baseada em algumas pessoas que serviram a Hitler.


Como eu disse, em certo momento da leitura eu me vi questionando certos fatos que eu conheço sobre o período, pois o autor realmente me convenceu de que eu estava errada. Uma façanha se quiserem saber a verdade porque sou uma pessoa fascinada por história e que lê sobre diversos períodos dela apenas por curiosidade. Então, cá entre nós, eu sei algumas coisas sobre o período nazista.


O romance é muito bem trabalhado por Alexander e ajuda a personagem a crescer dentro da trama, algo que honestamente eu achei muito interessante. Karl e Magda são um casal, a princípio, improvável, mas que no fim realmente ganharam a minha simpatia. Além disso eu sofri com a protagonista durante várias páginas com as tragédias que a assolam e adoro quando o autor consegue me fazer sentir este nível de empatia pela história e seus personagens.


A diagramação é bem simples, o que todo mundo que me conhece sabe que me agrada. Não sei muito bem se gosto da capa, mas com certeza ela faz total sentido dentro do contexto do livro. A fonte é confortável e as páginas são amareladas. A única ressalva que tenho a fazer é que como recebi a prova antecipada do livro (mande mais Gutenberg!) havia uma quantidade considerável de erros (especialmente palavras repetidas), mas acho que depois da última revisão o problema não vai estar presente na versão finalizada que chegou às livrarias este mês. 




Um adendo interessante é que recebi hoje a edição finalizada do livro e há algumas sutis diferenças na capa. Além disso dei uma folheada na obra e vi que os erros que reparei (e comentei acima) não estão, mas não vi tudo, então pode ser que tenham passado alguns ainda.

A obra é dividida em três partes, cada uma mais envolvente que a outra, mas devo confessar que as últimas cem páginas doeram mais do que qualquer coisa. Não leia Um Banquete Para Hitler esperando um final feliz, você vai se decepcionar pois ele está mais para agridoce, mas se posso dizer algo sobre a obra é que ela valeu cada minuto do meu tempo.
















Título: Um Banquete Para Hitler Páginas: 304 | Autor: V. S. Alexander  
Tradutora:  Cristina Antunes | Editora: Gutenberg | Ano: 2018